sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Batismo pelos mortos

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Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles, então, pelos mortos? – 1 Coríntios 15.29

O que significa batismo pelos mortos?

O assunto discutido em 1 Coríntios 15.16-32 é a validade da esperança cristã quanto à ressurreição do corpo de todos os verdadeiros cristãos. A opinião então corrente nos círculos filosóficos gregos e entre os saduceus era que tal reconstituição do corpo era impossível, a partir do movimento em que a morte ocorresse. O aparecimento de crentes do AT, ressurretos, em forma corpórea, a muitos habitantes em Jerusalém, após a morte de Jesus (Mateus 27.52) aparentemente foi descartado como mera alucinação, fruto de superstições grosseiras.

Todavia, por tudo esse parágrafo o apóstolo demonstração que a ressurreição do corpo antes do arrebatamento da Igreja e no final dos tempos foi garantida pelo ressurgimento do próprio Cristo.

É nesse contexto que Paulo parte para a discussão da aplicação pessoal dessa alegre perspectiva dos crentes. Quando os mais idosos caíam doentes e ficava cada vez mais certo de que o fim se aproximava, chamavam seus entes queridos à beira da cama e apelavam aos que ainda não eram crentes para que endireitassem seus caminhos diante de Deus. “Logo deixarei vocês todos, meus queridos”, diziam os santos às portas da morte, “mas desejo vê-los outra vez a todos, no céu. Devem, portanto, encontrar-se comigo lá! Lembre-se de que ninguém poderia ir ao Pai senão mediante a fé viva no Filho. Entreguem seus corações a Jesus”.

Quando os parentes saíam de perto da cama, profundamente emocionados pela admoestação sincera e ardente, muitos que ainda não haviam assumido um compromisso de fidelidade a Cristo passavam a dar a devida atenção ao convite do Evangelho e recebiam Jesus como Senhor e Salvador. Despertados pelo ente querido que partiu, e bem lembrados de suas ultimas palavras preparavam-se para a confissão publica e o batismo, de acordo com a prática da Igreja. Quando, mais tarde, compareciam perante as testemunhas para submeter-se ao batismo, em um sentido muito real faziam-no “por causa dos mortos”, isto é, “por amor dos mortos” (a preposição hiper significa “por amor de” em vez de “em prol de” ou “em lugar de”, neste contexto particular, ainda que a principal motivação fosse endireitar suas veredas diante de Deus, como pecadores que precisavam de um Salvador).

Nenhum crente do século I, que lesse a carta de Paulo, poderia interpretar erroneamente a expressão hyper tõn nekrõn (“por amor dos mortos”), como se quisesse dizer que a fé de uma pessoa viva poderia ser atribuída a um incrédulo morto, fosse parente ou não daquele cristão. Por todas as Escrituras está muito claro que a graça salvadora não é concedida a alguém mais senão àquela pessoa que crer e exibir sua fé pessoal. Mas alguém que tenha ficado profundamente comovido pelo ser levado a unir-se ao moribundo, na mesma fé, no mesmo arrependimento, na mesma fidelidade ao Senhor, e na alegre expectativa de encontrar seus queridos na ressurreição. É isso, pois, que ficou implícito no v.29: “Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos [por amor dos] mortos? Se, absolutamente, os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa [por amor] deles?” O v.30 transmite o mesmo pensamento: “E por que também nós nos expomos a perigos a toda hora?” E a seguir no v.32 Paulo conclui: “Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam [fisicamente, de suas sepulturas], comamos e bebamos, que amanhã morreremos”.

Em outras palavras, se a esperança da ressurreição corpórea dos cristãos é uma ilusão, o próprio Cristo não poderia ter ressuscitado fisicamente da sepultura. E se o Senhor nunca ressuscitou, a proclamação do Evangelho é uma fraude, e não há libertação do pecado, da morte e do Inferno. “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (V.17). Portanto, a doutrina da ressurreição corpórea não é uma questão de opinião para o cristão; é a própria essência da salvação. Mas a salvação está à disposição apenas dos que pessoalmente reage com arrependimento e fé ao chamado do Mestre. Não existe conversão por procuração. Jamais encontraremos tal ensino em parte alguma das Escrituras, sendo inteiramente estranho ao que a Bíblia ensina a respeito ao que a Bíblia ensina a respeito da salvação.

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Fonte: Enciclopédia de dificuldades bíblicas, Gleason Archer, Ed Vida

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