segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A estrela de Belém e a astrologia

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Se a Bíblia condena a astrologia como uma forma de idolatria, como é que em Mateus 2.2 o nascimento de Cristo foi narrado aos magos mediante o aparecimento de sua estrela no céu?

Em primeiro lugar, precisamos definir a astrologia como sendo uma crença supersticiosa, que envolve o movimento ou a posição dos planetas e das estrelas como advertências prévias sobre a vontade dos deuses (ou forças do destino), a qual seus devotos podem de alguma forma controlar, ao partir para algum tipo de ação preventiva ou evasiva. Além disso, como é o caso dos horóscopos e estudos dos signos do zodíaco, tão em voga hoje, a astrologia pode indicar potencialidades especiais nas pessoas nascidas sob determinada constelação, ou significar boa ou má sorte, para atividades em que alguém se engajar durante aquele dia em especial. Nos tempos antigos, pré-cristãos, esse interesse pela astrologia se fazia acompanhar pela adoração de corpos celestiais de maneira ritualísticas. Todas as pessoas que se dedicavam a tais práticas em Israel eram condenadas à morte por apedrejamento (Dt 17.2-7).

No caso do nascimento de Cristo, no entanto, nenhum dos elementos acima estava em ação. A estrela que os magos viram no Oriente construiu um anuncio de que o menino Jesus havia nascido. Sabemos disso porque o propósito da ordem de Herodes a seus soldados, enviados a Belém foi este: “Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos”. (Mt 2.16). Portanto, a estrela deveria ter aparecido quando Jesus nasceu, e foi necessário que os magos viajassem durante mais de um ano até chegar a Jerusalém, para sua entrevista com Herodes. Aquela luz não foi uma provisão, mas o anuncio de um fato consumado.

Em segundo lugar, essa peregrinação dos magos não envolvia alguma adoração aos falsos deuses, nem o poder determinístico do destino. Eles simplesmente receberam o anúncio de Deus, por meio da estrela, para que procurassem o rei recém-nascido, pois entendiam que esse haveria de tornar-se o regente do mundo – inclusive de seu país (talvez a Pérsia, pois os magos atuavam nessa área nos tempos antigos). Decidiram, então, formar uma caravana e partir em peregrinação até Jerusalém. Se eram três, ou mais, não sabemos com certeza, exceto que foram três os tipos de presentes mencionados: ouro, incenso e mirra. Esses magos desejavam homenagear o bebê enviado por Deus a fim de tornar-se o Rei dos judeus e de toda a Terra.

Em terceiro lugar, devemos entender que as Escrituras falam em várias outras passagens sobre anúncios divinos nos céus, utilizando sol, lua e estrelas. Por exemplo, Jesus fala do “sinal do Filho do homem” que vai aparecer no “céu com poder e muita glória” (Mt 24.30). É justo presumir que esse sinal incluirá o sol, a lua, as estrelas – embora pudesse ser apenas uma aparição simbólica. Mas é certo que no Pentecostes, o apostolo Pedro menciona Joel 2.28-32 e refere-se a esses sinais da segunda vinda de Cristo ao dizer: “Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor” (At 2.19-20). Essas manifestações celestiais nada têm a ver com a astrologia, a superstição pagã.

Uma última palavra a respeito da estrela de Belém. Muita especulação e muitos cálculos astronômicos têm sido feitos sobre a questão de como uma estrela tão brilhante e importante poderia ter sido visível aos magos. Alguns sugerem que houve um inusitado alinhamento de planetas ou estrelas, de tal modo que a luz assim combinada teria produzido um brilho incomum, digno de nota. É certo que essa causa poderia ser atribuída a um clarão original, mas é muito improvável que algum astro fosse capaz de dirigir seu brilho de modo especifico na direção de Israel, para que os magos pudessem identificar o lugar onde o menino Jesus residia. No entanto, de acordo com Mateus 2.9, “... a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino”. Essa era verdadeiramente uma estrela sobrenatural enviada por Deus para guiá-los.

 

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Fonte: Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, Ed. Vida

4 comentários

CARLOS FONTES disse...

A paz do senhor meu amado Pastor Edmilson, quero lhe desejar meu parabéns por esse lindo trabalho feito por você no seu blog continue assim estarei sempre acompanhando.

Pastor entra no meu blog para ver como ficou é que eu mudei o visual:
http://jesuscristoeuevoce.blogspot.com/

Um abraço do irmão e Presbítero Carlos Fontes.

Marcio Augusto disse...

Paz Pastor, Através da palavra de Deus todas as coisas ficam mais claras.

Voltaire Theologos disse...

Graça e paz!
Amado irmão em Cristo.Este texto toca em um ponto muito polêmico, que tem recebido inúmeras explicações.Particularmente, quando estudei Psicologia Profunda, tive contatos com algumas leituras que me deixaram profundamente intrigado.Por exemplo: o caso de Balaão, a aparicão de Elias e Moises, entre outros.
O psicanalista Iung escreveu várias obras sobre essa área; e confesso que a leitura dos textos deste autor nos coloca diante de questões que mostram o quanto é limitado o saber humano.

Thiago disse...

Deus faz o que quer e do modo que quer...cabe ao ser humano tentar encontrar uma explicação "lógica" para o agir soberano do Senhor...mas muitas vezes, simplesmente não há explicação...é o sobrenatural mesmo!!!
Saudações Reverendo!!!

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